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As feiras de artesanato e as formas de organização dos artesãos araraquarenses foram temas de uma reunião realizada na Secretaria da Cultura na semana passada entre o vereador Roger Mendes (Progressistas), a titular da pasta, Teresa Telarolli, e a gerente de Economia Criativa e Solidária, Flávia de Jesus Andrade. “Muitos artesãos que não estão integrados em nenhuma feira têm me questionado sobre o que é necessário fazer para expor na cidade. O objetivo da reunião foi saber como a Secretaria tem atuado em relação ao artesanato e se há projetos para incentivar a atividade na cidade, de modo a orientar melhor as pessoas que me procuram”, explica o parlamentar.
De acordo com a secretária, “o artesanato é muito dinâmico e apresenta uma grande heterogeneidade em Araraquara. Atualmente, estão emergindo com vigor os coletivos de artesãos, que estão inseridos muito bem nesse movimento transformador que é a economia criativa e solidária”. Exemplos dessa forma de organização são o Rolê Feira e a Feira do Pôr do Sol. Os coletivos nascem espontaneamente, reunindo pessoas que se conhecem expondo nos mesmos locais. Gradativamente, ocorre um processo de curadoria e de revezamento nas feiras. “Desse modo, evita-se a concorrência predatória, e todos têm oportunidades iguais de exposição e ocupação do espaço público”, diz Teresa. Além disso, os coletivos assumem, aos poucos, uma identidade, e buscam espaços adequados para o seu perfil. Muitos artesãos circulam entre grupos diferentes. A Prefeitura oferece apoio estrutural aos feirantes, com pontos de luz, latões de lixo, barracas e outros itens. “Eles oferecem também uma contrapartida, muitas vezes, com a requalificação dos espaços que ocupam. Porém, com o tempo, a tendência é migrarem para espaços privados, dadas as nossas limitações”, ressalva a secretária. No momento, não há feiras organizadas pela Prefeitura.
Os artesãos que se interessarem em expor suas criações nos espaços da cidade devem procurar a Casa da Cultura. “Primeiramente, é preciso estar em posse da carteira da Sutaco [Subsecretaria do Trabalho Artesanal nas Comunidades], que reconhece a sua atividade de artesão e o autoriza a expor em todo o estado de São Paulo”, esclarece Flávia. “Na Coordenadoria de Economia Criativa e Solidária, também ajudamos na orientação e no mapeamento das oportunidades. Se for o caso, indicamos o coletivo que melhor corresponde ao perfil daquele artesão. Se ele preferir, o incentivamos a montar seu próprio coletivo.” A secretária concorda que os coletivos são, atualmente, a forma mais dinâmica de organização do artesanato na cidade. “No seu interior, há toda uma discussão, uma percepção que vai além de intervenções pontuais para vender produtos, e isso é muito importante. O poder público apoia os artesãos, mas o seu objetivo final tem de ser a autonomia, para não dependerem de uma gestão ou outra para desenvolver suas atividades, pois os governos mudam, mas o artesanato permanece. Os coletivos veem essa autonomia como um dos seus fins.” "É importante que as pessoas sejam motivadas a se organizarem, principalmente nos bairros mais afastados, que carecem de atividades culturais. A ideia é sugerir que os artesãos que não participam dos coletivos existentes, talvez por não se identificarem, possam se organizar e formar um outro”, conclui o parlamentar.
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