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Tárcio Costa é “ homem fazedor”. Cordelista no palco, na fazenda ou na Europa; para ele, a arte se assemelha ao ser humano em sua imperfeição e constante construção. Aprecie um pouco da visão de mundo e do trabalho deste artista na entrevista concedida ao programa “Sou Arte”, da TV Câmara (canal 17 da Net).
Como começou seu envolvimento com a arte?
Comecei minha carreira muito cedo, aos 15 anos, quando subi ao palco para defender uma composição própria no Mapa Cultural Paulista, em Américo Brasiliense. Ali, percebi que o palco era o meu lugar, onde me sentia à vontade. Decidi que dali em diante o mundo seria um grande palco pra mim. Minha arte é agora. Acho que a arte é a coisa mais parecida com o ser humano, é imperfeita e está sempre em construção.
O que o levou ao cordel?
Eu nasci em Taubaté, capital da literatura infantil, cidade de Monteiro Lobato, e vim pra Américo Brasiliense muito cedo. A cidade era praticamente uma grande fazenda. O que havia ali era gente. Convivi com paranaenses, nordestinos, mineiros. Acredito que essa convivência tenha sido um pouco responsável por esta minha relação com a manifestação da cultura popular. Nesse Américo Brasiliense em que eu cresci, o homem era; o homem não tinha. E onde encontro um pouco dessa vertente hoje é no Nordeste, onde o homem ainda é. Como é seu processo criativo? Eu realmente sou alguém que gosta de fazer, para depois saber se isso está errado. Quando comecei a escrever cordel, não tinha métrica, tinha ‘malemá’ rima, mas eu comecei. Acho que o homem é um fazedor, ele tem que construir, tem que fazer.
Qual é o episódio mais marcante da sua carreira?
Em 2011, tive a oportunidade de representar o Brasil na 13ª Bienal de Artes Brasileiras em Bruxelas, com a obra “Ariano, de Norte a Suassuna”. Só posso falar que valeu 30 anos de esforço, dedicação e escolhas difíceis pra viver da profissão de artista.
Na sua opinião, como a arte deve ser incentivada?
Acho que o poder público pode ajudar investindo na arte dentro das escolas, principalmente na educação fundamental. Falo de comprometimento, de o poder público assumir a arte com a responsabilidade devida.
O que é ser artista para você?
Para que eu possa viver da minha arte, eu faço cordel no teatro, no palco italiano, faço na porta do supermercado, na Europa e na fazenda. Quer ser artista? Seja. Agora. Já. Pegue sua poesia, seu caderno, o que for, mas saia pra rua. É difícil, é prazeroso, é triste, é delicioso, é estar com o diabo e com Deus ao mesmo tempo. É tudo que é ser ser humano. Arte para mim é isso tudo. Tudo o que eu sou é arte.
A íntegra da entrevista está disponível em vídeo no canal da TV Câmara no YouTube.
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