420
Edna Martins*
Era uma vez um grupo de pessoas do gênero homo, da espécie homo sapiens, que foi proibido de estudar, de trabalhar, de ir e vir sem autorização, de dar opinião, de votar, de decidir sobre seu próprio corpo. Esse grupo de pessoas foi submetido a torturas, ameaças e a toda sorte de humilhações. Se essa história fosse ficção, nós já acharíamos uma história absurda, mas é realidade. Houve um tempo em que esse grupo de seres humanos, chamado de mulheres, tornou-se consciente de sua condição e resolveu se juntar para pedir respeito, para pedir paz. Para reivindicar o direito a ter direitos. E desde que começou, essa luta passou por muitos espaços e por muitas mãos. Mas ao analisarmos essa luta em perspectiva histórica vemos que seus resultados são muito recentes. Em 1879 foi aprovada a Lei que garantiu às mulheres cursarem o ensino superior. Em 1932 elas puderam votar e, portanto, decidirem sobre quem iria representá-las. Em 1979 nós fomos autorizadas a praticar esportes, por que isso também nos era proibido. E assim foram se somando diversas conquistas que ampliavam direitos básicos às mulheres. Sendo que, só em 2006 foi promulgada a lei Maria da Penha. Portanto, faz só oito anos que homens que agridem mulheres são considerados criminosos.
Este dado é muito significativo, porque nos mostra o quão difícil é, neste país, avançarmos com uma legislação que nos permite desnaturalizar a violência de gênero. Muito provavelmente você que está lendo este texto conhece algum caso de violência contra mulher, e se não conhece, é só folhear as páginas de jornal para ver que ela acontece aos montes, todos os dias. E isso não pode ser absorvido por nós como algo normal. Isso não é normal. Não é normal que a maioria da população deste país esteja submetida a uma condição de humilhação e vulnerabilidade. Na última terça-feira, o relatório sobre violência contra as mulheres da ONU apontou que uma em cada três mulheres, em todo o mundo, é vítima de algum tipo de violência conjugal. Na média global, 38% dos assassinatos de mulheres foram cometidos por seus companheiros, cônjuges, parceiros. Calcula-se que entre 100 e 140 milhões de jovens adultas no mundo tenham sofrido algum tipo de mutilação genital. Estes dados nos alardeiam para o fato de que, ainda hoje, as políticas de combate à violência contra as mulheres são insuficientes. E não só são insuficientes como são, continuamente, tratadas como políticas menos importantes. Nossa sociedade e nossos representantes políticos não entenderam ainda que não há desenvolvimento em uma sociedade onde metade da população está submetida, diariamente, a condições de violência física e psicológica. Isso porque desenvolvimento não deve referir-se apenas ao crescimento do produto nacional bruto, a industrialização, ao progresso tecnológico.
O desenvolvimento de um país deve ser medido segundo sua capacidade de transformar as riquezas nacionais em qualidade de vida para seus cidadãos, por meio da redução das desigualdades sociais e da expansão das liberdades humanas. Por isso eu os convido a pensarmos em novas estratégias de enfrentamento da violência. Além disso, os convido a exercitar, diariamente, o resgate dos valores humanos entre nós. Porque não adianta termos empresas, estarmos entre as primeiras economias mundiais, termos um monte de parafernalha tecnológica, se o Ser Humano não resgatar a sua capacidade de indignação.
* Edna Martins – vereadora do Partido Verde
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Música DJ Sueyla Morais, um dos nomes mais respeitados do DJing das noites campineiras e do interior paulista, assume o comando com uma noite 100% dedicada aos clássicos do R&B, Soul, Funk e os hi...
Futebol Pela 3ª rodada do Campeonato Paulista da Série A2, a Ferroviária enfrenta o Ituano no sábado (17), às 18 horas, no Estádio Municipal “Dr. Novelli Junior”, em Itu. O jogo terá transmissão a...
Quem pretende tirar a nova Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em São Paulo a partir de janeiro passa a contar com um processo mais rápido e econômico. Com as mudanças adotadas após a publicação...
O Curso Unificado do Câmpus de Araraquara (Cuca), realizado em parceria entre o Instituto de Química da Unesp e a Prefeitura de Araraquara, está com inscrições abertas até o dia 31 de janeiro para...
O Portal Trampolim prorrogou, até o próximo domingo (18), o prazo de inscrição para os cursos profissionalizantes gratuitos do programa Trampolim 60+, voltados a pessoas com 60 anos ou mais residen...
Uma Indicação protocolada pelo vereador Guilherme Bianco (PCdoB) solicita à Prefeitura, com caráter de urgência, a adequação do piso salarial dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes d...

O conteúdo do Portal da Câmara Municipal de Araraquara pode ser traduzido para a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) através da plataforma VLibras.
Clique aqui (ou acesse diretamente no endereço - https://www.vlibras.gov.br/) e utilize a plataforma.