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A Sessão Solene de entrega do Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque” 2026 foi realizada na Câmara na noite de sexta-feira (10). A homenageada foi a educadora Tatiane Pereira de Souza.
A indicação da honraria, concedida a mulheres com destaque profissional ou que tenham prestado trabalhos na valorização da mulher no contexto da cidadania, é de responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Araraquara.
O evento destacou a trajetória acadêmica e profissional da homenageada, que tem doutorado e experiência em diversas frentes (leia abaixo mais sobre a biografia de Tatiane), bem como a importância do combate ao racismo.
A vereadora Geani Trevisóli (PL), que presidiu a Sessão, pontuou que a premiação enseja reflexão e pede empatia em relação às mulheres que, embora muitas vezes sem crédito, melhoram a sociedade.
“Nós reconhecemos hoje uma mulher que escolheu educar, construir pontes e, com conhecimento, sensibilidade e compromisso, combater desigualdades. Tatiane representa tantas mulheres que fazem da educação um instrumento de transformação”, elogiou a parlamentar. Marcelinho (Progressistas) foi outro legislador presente.
A importância do Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque” foi um dos aspectos levantados por Jéssyca Alencar, secretária municipal de Direitos Humanos e Cidadania de Araraquara. Para ela, trata-se de celebração a todas as mulheres que, diariamente, contribuem para uma sociedade mais justa.
“Nós, mulheres, enfrentamos muitos desafios para nos capacitarmos e impormos nossa voz. Mas, quando a mulher é negra, o desafio é ainda maior”, constatou. “E você traz o exemplo de que temos que continuar lutando, enfrentando as desigualdades, enfrentando o racismo e promovendo mais equidade de gênero”, disse a titular da pasta à homenageada.
Rita de Cássia Ferreira, integrante do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Araraquara, afirmou que Tatiane tem os méritos de aliar, em sua trajetória, teoria e prática, e valorizar a educação popular.
Segundo a conselheira, a atuação da homenageada leva em conta o fato de que não se pode falar em educação sem mencionar relações étnico-raciais, que permeiam todas as nuances da sociedade. “E você faz isso de maneira fluida”, afirmou, dirigindo-se à ganhadora do prêmio. “É incisiva nas colocações, o que é necessário por conta do racismo, mas afetuosa e acolhedora.”
Ao receber o prêmio, Tatiane fez um paralelo com Heleieth Saffioti, intelectual que dá nome à honraria. “O trabalho de Heleieth Saffioti sobre as mulheres consolida o conceito de gênero ao lado de classe e raça como marcadores estruturantes na sociedade, e essa interseção é extremamente importante para nós, da educação, porque vemos o impacto desse cenário diariamente nas aprendizagens e nas relações”, analisou.
Tatiane também reforçou o papel da própria família e suas raízes africanas, com especial menção à avó Edna Ferreira e à mãe, Maria Abadia Ferreira Costa. “Elas me ensinaram tanto. E, todas as vezes que sofri racismo, nunca me deixaram esquecer que não é o racismo que me define, mas minha cultura, minha tradição, minha família e as pessoas que amam.”
A homenageada
Tatiane Pereira de Souza é pedagoga e gestora educacional, com mestrado em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), além de atualmente cursar doutorado em Educação na Universidade de São Paulo (USP).
Pesquisadora dedicada às relações étnico-raciais, integra núcleos de estudos na Unesp e coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas em Africanidades, Culturas, Diversidades e Memórias (Akoma).
Na área profissional, atua na Prefeitura de Araraquara. No Executivo municipal, é coordenadora técnica de Programas Educacionais Étnico-Raciais e participou da elaboração do Protocolo Antirracista na rede de educação. Também contribui com políticas nacionais na área, em articulação com o Ministério da Educação, e tem produção acadêmica sobre o tema.
Como integrante do Terno de Congada Chapéus de Fitas, alia educação, cultura e tradição em ações de valorização das matrizes africanas e indígenas.
Para ver e rever
O evento contou com transmissão da TV Câmara e pode ser revisto aqui.
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