Notícias



Lei que restringe estagiários em consulta ginecológica é debatida na Câmara



840


A Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Mulheres reuniu-se na sexta-feira (31), às 16 horas, no Plenário da Câmara Municipal, para dar sequência aos trabalhos e definir prioridades de ação para 2014. Na pauta dos debates estava a criação da Procuradoria Especial das Mulheres, que foi uma das principais bandeiras da Frente Parlamentar no último ano e deve ser aprovada nos próximos dias, e o planejamento das atividades para 2014, mas o que acabou predominado foi o debate da lei aprovada em Dezembro que restringe a presença de estagiários e residentes do curso de medicina em consultas ginecológicas.

 

Para Gabriela Palombo (PT), presidente da Frente o intuito da lei é assegurar o direito de escolha da mulher, e nunca macular a imagem dos estagiários, ao contrário, pois é positivo o curso na cidade e a parceria para atuar na rede pública. Os debates resultaram em um consenso por parte do curso de medicina, do município e da Câmara Municipal em rever o que se tornou um ponto de conflito no sentido de se ter um serviço melhor e mais aprimorado. Segundo Gabriela, a Uniara se comprometeu a fazer algumas adequações com a prática do estágio, a Câmara deve rever alguns pontos da lei que são polêmicos e passíveis de mudança sem prejuízo às mulheres, e também da prefeitura em realizar um trabalho de formação e capacitação. “Um ponto que deve ser revisto é o parágrafo 2º da lei que diz que nos casos de emergência a presença dos estagiários é vedada, e eles trouxeram uma questão que achamos bastante pertinente, de que quando o caso é complexo e raro eles perdem, pois seria uma experiência importante para acumular conhecimento”. E completa “ Existe uma disposição em rever esse posicionamento, pois é possível permitir a presença do estudante em casos de urgência ou criar outro procedimento para poder conciliar o interesse de quem está aprendendo e da mulher que está sendo atendida”. A vereadora Edna Martins (PV) autora da lei nunca imaginou que a aprovação do projeto fosse causar tanta polêmica, pois parecia óbvio, uma vez que essa restrição está em vários documentos do ministério da saúde. Edna acredita que a lei é muito vitoriosa porque provocou uma conversa do curso de medicina com o serviço público e com a Câmara Municipal, movimentando vários segmentos da cidade relacionados a mulher, como o Centro de Referência da Mulher, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Movimento de Humanização do Parto, Conselho Municipal de Saúde, membros do Diretório Acadêmico da Uniara e mulheres que trouxeram seus relatos. Os vereadores Adilson Vital (PV) e Elias Chediek (PMDB) também participaram dos debates.

 

Edna foi enfática em afirmar que o sentimento é esse: “Todo mundo sabe do valor do curso de medicina para a cidade, e no atual momento, com a ausência de médicos na rede pública, os residentes e estagiários são muito importantes, mas é um grande consenso que não dá pra brincar com o direito das mulheres”. “Todos os tratados de direitos humanos abordam a questão de que a mulher deve ser consultada sobre aquilo que vai ser feito no seu corpo, e especificamente no exame ginecológico, que já é constrangedor, a presença dos estagiários estava tornando o ato impeditivo, pois elas não estavam indo às consultas”. “O direito da mulher tem que ser garantido. “Os estudantes são importantes, mas o serviço público tem que regular essa situação” finaliza. Encaminhamento Ficou determinado que será realizada uma reunião com a Secretaria de Saúde do Município para discutir a implementação da lei e assim garantir a capacitação dos serviços municipais e complementar a legislação nos aspectos em que ela pode ter interpretação equivocada.


Publicado em: 01 de fevereiro de 2014

Cadastre-se e receba notícias em seu email

Categoria: Câmara

Comentários

Adicione seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.


Outras Notícias

Fique por dentro

Câmara autoriza compra de armas para a Guarda Civil Municipal

02 de junho de 2026

A Câmara Municipal de Araraquara autorizou, durante a 65ª Sessão Ordinária, nesta terça-feira (2), a compra de 20 pistolas semiautomáticas destinadas à Guarda Civil Municipal. O valor empregado ser...



Terra, água e ar: Impactos e desafios locais são debatidos em Audiência na Câmara

02 de junho de 2026

Na segunda-feira (01), a Câmara Municipal realizou a Audiência Pública “Como está nossa terra, nossa água e nosso ar?”. O evento foi convocado pela Frente Parlamentar em Defesa do Meio Ambiente, da...



PAT (02/06)

02 de junho de 2026

Quem está em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho pode ficar atento: o Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) de Araraquara está com 39 vagas abertas nesta terça-feira (2). As oportu...



Audiência Pública na Câmara abre programação da 1ª edição da SIEBioteQ

01 de junho de 2026

  Na próxima segunda-feira (08), às 15 horas, o Plenário da Câmara receberá a Audiência Pública “Apresentação do Programa de Estímulo às Startups”, evento que abre a programação da Semana de Inova...



Vereadores decidem sobre compra de armas para a Guarda Civil Municipal

01 de junho de 2026

  Os vereadores de Araraquara decidirão sobre a aquisição de 20 pistolas semiautomáticas, pelo valor de R$ 174,7 mil, para a Guarda Civil Municipal. Este é um dos projetos em discussão na 65ª Sess...



Em prestação de contas, Prefeitura detalha medidas para deixar condição fiscal prevista no artigo 167-A da Constituição

01 de junho de 2026

  Com o objetivo de sair do mecanismo de ajuste fiscal previsto no artigo 167-A da Constituição Federal, a Prefeitura de Araraquara instituiu um Comitê de Gestão Fiscal e tem tentado viabilizar ma...





Esse site armazena dados (como cookies), o que permite que determinadas funcionalidades (como análises e personalização) funcionem apropriadamente. Clique aqui e saiba mais!