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“Todo povo tem direito ao registro de sua história e à memória de seus ancestrais. O debate de hoje é fruto de um erro histórico, fruto das escravizações sofridas pelos povos africanos.” Foi com essas palavras que o antropólogo Dagoberto Fonseca iniciou sua palestra durante a Roda de Conversa sobre o Povo Negro de Araraquara – Reflexão sobre a história da população negra de Araraquara e a relação com o tradicional Baile do Carmo – realizada no Plenário da Câmara Municipal, na quinta-feira (30).
O seminário, iniciativa da vereadora Thainara Faria (PT) em parceria com a Escola do Legislativo (EL), promoveu reflexões e discussões sobre as conquistas do movimento negro e suas resistências diante das formas de racismo. Como pano de fundo, a pesquisa da professora Valquíria Tenório, o livro “Baile do Carmo: memória, sociabilidade e identidade étnico-racial em Araraquara”, que resgata a história da população negra local, invisibilizada durante tantos anos nos livros didáticos e nos registros oficiais, a partir do tradicional Baile do Carmo, desencadeou as análises entre mesa e participantes. Na ocasião, a autora do livro justificou a importância do relato. “O Baile do Carmo nasce em um contexto de segregação, no qual os negros não podem participar das festas da elite da cidade. Antes de tudo, a festa é um movimento de resistência. A ideia foi reconstruir um pouco da história da população negra em Araraquara, a partir de um evento centenário, bastante conhecido, mas que não estava registrado na história oficial.” Valquíria ainda alertou sobre o erro que é naturalizarmos a ausência de uma população. “Os primeiros ferroviários, que construíram a cidade, eram negros. Como não representá-los na história de Araraquara?”, questionou.
Oralidade X escrita
A coordenadora municipal de Direitos Humanos, Maria Fernanda Luiz, também participou da mesa de discussão, contou sua experiência enquanto mulher negra e militante dos direitos na cidade. Entre seus relatos, ela destacou a força da ancestralidade e dos laços familiares como resistência diante do apagamento das tradições na história hegemônica. “Não há como falar do meu reconhecimento enquanto mulher negra sem falar das histórias das mulheres da minha família. Foram elas que me ensinaram, antes mesmo que eu pudesse compreender o racismo e suas consequências, nossa história, nossos valores e, claro, como resistir em uma sociedade que não nos respeita. Apesar de não ter tido acesso à história do meu povo nos livros, pude escutá-las dentro de casa”, contou emocionada.
Institucionalização do debate
Fonseca destacou a obrigação histórica que as instituições públicas têm de colocar a pauta em discussão e a importância do evento realizado na Casa Legislativa. “Hoje esta mesa está registrando direitos. O direito de escrever a história de um município que, sem a população negra, nem existiria. É importante reforçar a nossa presença e inserir nossos questionamentos nos debates oficiais, pois é a partir deles que mudamos as sociedades”, explicou.
Nesse sentido, a vereadora Thainara reforçou seu compromisso em propor ideias e fazer de seu mandato instrumento para mudar a história. “Um dos meus projetos é ‘o 12 meses de consciência negra’, cujo objetivo é fomentar políticas públicas em prol do movimento negro não apenas nos meses de maio e novembro, mas ao longo de todo o ano, este evento é um exemplo deste projeto.” A expectativa é de que nos próximos meses a parlamentar continue a viabilizar projetos na Casa de Leis, que reúna as memórias e a história da população negra.
Conquistas na legislação
A Lei nº 10.639, sancionada em 2003, tornou obrigatória a temática afro-brasileira nos currículos do ensino fundamental e médio. Desde a sua vigência, todas as escolas públicas e particulares da educação básica devem ensinar aos alunos conteúdos relacionados à história e à cultura afro-brasileiras.
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