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Para discutir as principais necessidades e a situação dos surdos do município, a vereadora Thainara Faria (PT) se reuniu com o prefeito Edinho Silva (PT) na tarde de terça-feira (12), na sede do Executivo. A parlamentar estava acompanhada de diversas mães de surdos, com quem já vinha conversando sobre as principais demandas desde fevereiro deste ano. “Conseguimos a sala no Neja (Núcleo de Educação de Jovens e Adultos) com Libras, mas ainda há muitas outras reivindicações”, destacou Thainara. Silmara Aparecida Henrique é mãe de Alice, que é surda e, com 16 anos e no 2º ano do ensino médio, ainda não sabe ler nem escrever. “Temos muitas dificuldades na área da saúde, não tem quem interprete. Não temos atendimentos com psicólogos e terapeutas ocupacionais. Faltam intérpretes”, afirmou. “Percebemos a necessidade de intérpretes em diversos setores, principalmente na saúde”, completou a vereadora. Outra mãe, Dulce Helena Pregnolato, lembrou que “os surdos precisam de escolas em tempo integral. Tanto em São Carlos como em Matão, há uma estrutura para surdos que não existe aqui. Libras é muito deficitário. O surdo está abandonado em Araraquara”. “Os jovens ficam sem perspectivas. Em São Carlos, por exemplo, o processo começa no berço, nas creches”, enfatizou Silmara. Já Josélia de Andrade Araújo, mãe de outro surdo, se viu obrigada a fazer um curso de Libras. “Foi necessário para auxiliar meu filho, não encontrava muito apoio. Quando ele vai ao médico, preciso interpretar, ele não sabe se expressar. Sei o básico para ajudar.” De acordo com a secretária de Educação, Clélia Mara Santos, Araraquara não tem profissionais habilitados. “No último concurso municipal, apenas dois foram aprovados, e eles foram para a Educação. Vamos buscar outras alternativas, como um chamamento público.” Também mãe de um surdo, Laís Pregnolato Sedenho disse que “a escassez de profissionais é antiga. Precisamos formar pessoas. No Cisa (Centro Integrado de Saúde Auditiva), por exemplo, os fonoaudiólogos não são bilíngues”. A assessora especial da Pessoa com Deficiência, Elisa dos Santos Rodrigues, entende que “essas questões são importantes. Precisamos capacitar os servidores. Estamos vendo essa necessidade e já trabalhando com isso”. Segundo Edinho, Araraquara não ter um programa para surdos é inaceitável. “Não conseguimos avançar neste ano. Iniciamos em relação aos autistas, definimos a criação do Centro de Referência para as Pessoas com Deficiência, mas precisamos definir um programa para resolver essa questão”. O prefeito sugeriu a criação de uma comissão que apresente uma proposta de um programa em 30 dias. O grupo será formado pelas mães, por uma representante da Secretaria de Educação, a supervisora de ensino Cássia Maria Canato, pela coordenadora executiva de Direitos Humanos, Maria Fernanda Luiz, pela assessora especial da Pessoa com Deficiência, Elisa dos Santos Rodrigues, e também foi sugerida a participação do gerente do Centro Especializado em Reabilitação, Luiz Armando Garlippe. “O que vocês tirarem de diretrizes nessa comissão, vou assumir. Nossa cidade precisa ser justa e inclusiva”, finalizou Edinho Silva. “Essa situação não pode ficar como está. Vamos trabalhar juntos com essa comissão e nos reunirmos novamente com a administração municipal para que essas demandas sejam resolvidas o quanto antes”, pontuou Thainara.
Também participaram da reunião o chefe de gabinete Alan Silva e o coordenador executivo de Gestão e Administração, Ernesto Gomes Esteves Neto.
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