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Prefeitura responde sobre reabilitação pós-Covid-19

Vereador Paulo Landim (PT) havia sugerido ações para promover ampliação das medidas de atenção, prevenção e cuidados

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Observatório Europeu de Sistemas e Políticas de Saúde apontam para a necessidade de cuidados continuados e prolongados para pessoas com sequelas, devido à infecção por Covid-19. Essas sequelas atingem grande parte dos infectados, notadamente aqueles hospitalizados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), causando um conjunto de sintomas físicos preocupantes, que podem afetar os sistemas cardiovascular, respiratório, renal, neurológico, dermatológico, gastrointestinal, oftalmológico, endócrino, entre outros, podendo acarretar o aumento de doenças agudas e crônicas, comprometendo o bem-estar e colocando em risco a vida de pessoas infectadas pela doença.

 

Nesse sentido, o vereador Paulo Landim (PT) encaminhou, no dia 23 de julho, o Requerimento nº 686/2021 à Prefeitura, solicitando informações sobre a possibilidade de criação do “Programa de Reabilitação Pós Covid-19”, contemplando ações para promover a ampliação das medidas de atenção, prevenção e cuidados com a saúde de munícipes que foram infectados com o vírus da Covid-19.

 

“A complexidade da situação de saúde imposta pela pandemia de Covid-19 em curso gera a necessidade de adoção de políticas públicas de saúde seminais, com abordagens multidisciplinares e longitudinais, gerando novas vias de atendimento, mesmo em um contexto de escassez de recursos”, argumentava o parlamentar no documento.

 

De acordo com investigação científica conduzida pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor), com 4.500 pessoas que se recuperaram de Covid-19, cerca de 80% delas relataram sequelas cognitivas, entre elas, dificuldade de concentração e atenção, sonolência diurna, dores de cabeça, perda de memória, diminuição da coordenação motora, entre outras.

 

“A OMS tem indicado o check-up médico e o acompanhamento geral das pessoas infectadas por Covid-19, de forma a mapear e promover políticas públicas adequadas para a completa recuperação e reabilitação dos pacientes”, afirmava Landim.

 

No documento, o vereador sugere ao Executivo a implementação de um sistema para avaliação e classificação, de acordo com a natureza clínica das sequelas, em estado leve, moderado ou grave, para os pacientes infectados pela Covid-19, principalmente aqueles que necessitaram de internações nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, indicava a implementação do Programa “Fisioterapia em Casa”, para pacientes com dificuldades de mobilidade e sequelas da Covid-19; implementação de programas específicos para pacientes com sequelas da Covid-19, através das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e suas equipes, notadamente nas contempladas pelo “Programa Academia da Saúde”.

 

Landim propõe ainda a ampliação do Programa “Academia da Saúde”, junto às UBSs, com ações voltadas para a reabilitação de pacientes infectados pela Covid-19; ampliação das parcerias públicos-privadas, da saúde complementar, do terceiro setor, universidades, entre outras, visando a promoção de ações auxiliares nos processos de reabilitação de pessoas infectadas pela Covid-19; ampliação e adequação do atendimento no Centro Especializado em Reabilitação "Dr. Eduardo Lauand" (CER), para pessoas infectadas pela Covid-19, entre outras ações; criação de estratégia para o tratamento multiprofissional, com equipe integrada, evitando a fragmentação ou interrupção do tratamento; além de criação de estratégia de conscientização dos profissionais de saúde, dos pacientes, familiares e da população em geral, em relação aos cuidados necessários e as possibilidades de tratamento para pessoas contaminadas pela doença, visando à garantia da qualidade da vida, da saúde e da dignidade das pessoas com sequelas decorrentes da contaminação por Covid-19.

 

Em resposta, o coordenador executivo de Assistência Especializada, Misael Henrique Emílio, informou que, atualmente, a Secretaria da Saúde já prioriza os encaminhamentos de pacientes que foram contaminados com o vírus e os que permaneceram sob cuidados intensivos por longo prazo. “Os atendimentos são direcionados de forma descentralizada, utilizando de todos os mecanismos e espaços possíveis para absorver essa demanda, sem prejuízo ao cuidado das demais patologias”, explica.

 

Segundo o coordenador, os cuidados na especialidade de pneumologia são realizados no Núcleo de Gestão Ambulatorial (NGA-3) e, quando necessário e a pedido do especialista, exame de espirometria para testar a função pulmonar, propiciando maior agilidade para conduta e tratamento. “Em casos em que é avaliada a necessidade de acompanhamento por outras especialidades, como vascular, cardiologia, hematologia etc., os serviços devem imediatamente encaminhar para os setores competentes para agendamento prioritário. As reabilitações respiratória e motora são agendadas via regulação ou demanda hospitalar, direcionadas para o ambulatório de fisioterapia da Uniara, que no momento absorve toda a demanda, mas, caso necessário, podemos acionar outros serviços para avaliação. Demais especialidades, como no caso de fonoaudiologia, terapia ocupacional, enfermagem e nutrição são referenciadas para o Centro Especializado de Reabilitação (CER), o qual tria e atende as complicações. Casos de maiores complexidades são encaminhados a outros serviços”, detalha.

 

Emilio destaca que há as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) como porta de entrada dos serviços de saúde, com profissionais qualificados para atender esses pacientes e realizar avaliação e conduta de cuidados. Caso identifiquem a necessidade, realizam encaminhamentos que julgarem apropriados a melhor reabilitação do assistido. “Contamos ainda com o Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD), que realiza cuidados e capacita o cuidador para ações de reabilitação em residência, atuando como articulador de assistência com outros níveis de atenção.”

 

Sobre as academias de saúde e fisioterapia em casa, o coordenador afirma que, “em detrimento da Lei nº 173 e do atual momento econômico nacional e municipal agravado pela pandemia, qualquer ampliação de serviços infere no aumento do capital humano especializado, sendo na presente data inexecutável, já que todo o quadro hoje disponível encontra-se voltado às patologias já existentes acrescidas ainda da Covid-19”.


Publicado em: 26 de agosto de 2021

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Categoria: Câmara

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