Notícias



Semana Doutor Luiz Gama é celebrada com roda de conversa

Evento on-line destacou importância de se manter viva a memória afro-brasileira

662


Promover atividades e fortalecer as ações que envolvam o combate à discriminação étnico-racial na sociedade e nas instituições. Esse é o objetivo da Semana Municipal Doutor Luiz Gama, instituída pela Lei Municipal nº 9.680/2019, de autoria da vereadora e vice-presidenta da Câmara, Thainara Faria (PT). E para comemorar essa data do Calendário Oficial de Eventos da cidade, a Casa de Leis realizou a roda de conversa on-line “Encontro de Memórias”, na noite da quinta-feira (19).

Thainara iniciou a conversa contando um pouco da história de Luiz Gama que, aos 10 anos foi vendido como escravizado, indo para São Paulo. “Gama dedicou-se com afinco e gratuitamente para libertar pessoas escravizadas de várias províncias. Ele conquistou a libertação de mais de 500 pessoas escravizadas, inclusive na região de Araraquara.”

O deputado federal Vicentinho relatou sua vivência e destacou que todos têm uma luta. “Um dia, todos nós, todos os seres humanos, sobretudo a nossa juventude negra, nossas mulheres negras, todos sejamos tratados não pela cor da pele, e sim pelo nosso caráter. E que sejamos tratados em tom de igualdade.”

A professora de dança e membra do Movimento Negro Unificado (MNU), responsável pelo núcleo MNU São Carlos/SP, Carmelita Maria da Silva, também contou a história de sua família, que se estabeleceu na Vila Xavier, e falou da importância dos estudos das culturas africana e afro-brasileira. “Não podemos deixar os nossos mais velhos morrerem sem contarem suas histórias. Aos poucos vamos descobrindo essas histórias.”

“A questão da escravidão no interior de São Paulo não tem memórias. Luiz Gama foi um grande ativista e começou a sua luta através das insurreições dos negros escravizados nas várias fazendas que existiam. E hoje, elas foram vendidas, acabaram com tudo, com as senzalas, poucas viraram fazendas de turismo. Então, não temos um museu da memória do negro no interior de São Paulo”, afirmou a coordenadora do  Fórum de Mulheres Negras do Estado de São Paulo, Kika Silva (Doné Kika de Gbessen).

“Se não escrevermos nossa história, ninguém vai escrever. Essas discussões têm que partir da gente mesmo”, entende a cientista social, professora e militante do Movimento de Mulheres e Movimento Negro, Adria Maria Bezerra Ferreira. “São importantes esses momentos em que podemos nos encontrar e contar as nossas trajetórias. A história de qualquer mulher negra, ativista e atuante é a história de uma mulher negra, uma história de resistência, uma história de luta”, completou.

O vice-presidente da Comissão de Combate à Discriminação Racial da OAB 5ª Subseção Araraquara, Cláudio Claudino, destacou a importância da representatividade nas casas de leis. “Minha mãe foi a primeira mulher negra a ter o nome em um órgão público em Araraquara, graças a uma iniciativa da vereadora Thainara Faria. A Lei nº 10.639 [inclusão no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira] está adormecida, ela tem que acontecer, ela está morta e lei morta não funciona. Ela é importante para transformar a vida de pessoas. ”

“Nós somos o que somos porque os nossos passos vêm de longe, vêm de muito longe”, enfatizou a matriarca da Comunidade de Terreiro Ilê Axé de Yansã, Rosa Maria Virgolina da Silva (Doné Oyassy). “As mulheres pretas foram as primeiras mulheres a mexer com a economia nesse país. As compras e vendas vinham de quem? Então a gente é muito forte e não podemos de jeito nenhum deixar de passar para os nossos o quanto somos rainhas e reis, o quanto é importante para mim ser mulher preta e rezar, bater meu tambor, dançando e abraçando todos”, finalizou.

Confira como foi a roda de conversa na íntegra aqui.


Publicado em: 19 de agosto de 2021

Cadastre-se e receba notícias em seu email

Categoria: Câmara

Comentários

Adicione seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.


Outras Notícias

Fique por dentro

Agenda Cultural – 20/02

20 de fevereiro de 2026

Música Com uma proposta que reflete as vivências e experiências dos seus integrantes, a banda Fenícia apresenta canções autorais de trabalhos anteriores e seu novo EP “Meu Bem”, comemorando duas d...



Agenda Esportiva – 20/02

20 de fevereiro de 2026

Seletiva vôlei masculino A Fundesport realiza no sábado (21), às 14 horas, seletiva para formação da equipe de vôlei masculino – categoria infanto. Podem participar atletas nascidos nos anos de 20...



Associação dos Ciclistas do Morada do Sol MTB recebe Diploma de Reconhecimento Público

20 de fevereiro de 2026

Uma Sessão Solene realizada nesta quinta-feira (19) marcou a entrega do Diploma de Reconhecimento Público à Associação dos Ciclistas do Morada do Sol MTB. Dezenas de integrantes da entidade compare...



Chamamento público

20 de fevereiro de 2026

Músicos, grupos e artistas com CNPJ ou MEI sediados no município podem participar das inscrições para o chamamento público de propostas artísticas para os projetos “Choro das Águas” e “Circuito Cul...



Vagas abertas (até 06/03)

20 de fevereiro de 2026

Estão abertas as inscrições para as Oficinas Culturais Municipais 2026 em Araraquara, com cerca de 4 mil vagas gratuitas para crianças, jovens e adultos. O programa, promovido pela Secretaria Munic...



Cursos de idiomas (até 27/02)

20 de fevereiro de 2026

Os cursos gratuitos de idiomas oferecidos pelos Centros de Estudos de Línguas (CELs) nas cidades de Araraquara, Américo Brasiliense, Matão e São Carlos estão com matrículas abertas. As oportunidade...





Esse site armazena dados (como cookies), o que permite que determinadas funcionalidades (como análises e personalização) funcionem apropriadamente. Clique aqui e saiba mais!