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Completando a maioridade sem qualquer utilização oficial, o antigo Instituto Araraquarense de Psiquiatria, na Vila Xavier, pode receber um ultimato até mesmo com sua demolição. Essa, ao menos, é a intenção do vereador Edio Lopes (PT) ao requerer informações e prazo à Prefeitura sobre os planos para o prédio. Se nada for feito, a ideia é que o Executivo, ao menos, conserve a área. Apesar de estar abandonado há 18 anos, o local não se enquadra na Lei do Abandono porque a Prefeitura está isenta da medida. O assunto foi tratado pelo parlamentar na Sessão Ordinária de terça-feira (23).
“Não dá para aceitar o Poder Público deixar um espaço assim: com lixo, árvore caindo sobre o muro, além de bastante água parada aumentando o risco de proliferação do mosquito da dengue justamente na cidade em plena epidemia”, diz o vereador. “A gente sempre vê o Poder Público cobrar da iniciativa privada que mantenha limpo e ordenado, mas agora ela precisa dar o exemplo dando um destino para essa área nobre e deixada de lado. Se nenhuma atitude for tomada acionaremos o Ministério Público.”
Desde que foram encerradas as atividades do Instituto Araraquarense de Psiquiatria, o destino das instalações, em uma quadra inteira na Vila Xavier, preocupa os moradores do entorno. O serviço funcionou de 1972 a 1997. Parte das instalações teve fim: o prédio no meio abriga o Centro de Artes e Ofício da Prefeitura e a Oficina Cultural Lélia Abramo. “Se vai vender ou derrubar eu não sei, mas algo precisa ser feito”, enfatiza o vereador.
A área foi objeto de disputa jurídica. Doada a um grupo de médicos em 1970 para a implantação do Instituto de Psiquiatria, a Prefeitura tentou retomar a área em 2003. A Justiça negou e, em 2006, o Executivo adquiriu a área por R$ 1 milhão e 50 mil, com a intenção de instalar a Câmara Municipal. Com a desistência de implantar o Legislativo, outras propostas surgiram, mas nenhuma saiu do papel. Com autorização, somente praticantes de paintball passaram a utilizar o espaço para jogos de combate há pouco mais de dois anos.
“Não existe restrição de acesso. Entrei e andei sem ser incomodado.” O vereador encontrou sujeira, mato alto, além de roupas, tambores, latas e garrafas com água acumulada. Para Lopes, a Prefeitura segue a risca a lei do Instituto do Abandono, notificando, multando e até demolindo prédios abandonados de moradores comuns. “Espero que em Araraquara as regras sejam iguais, ou seja, que o Executivo faça o que cobra: dê destino ou deixe a área livre para o bem-estar de quem convive a quase duas décadas com aquele espaço.”
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