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Cinquenta e duas laudas e vinte anexos. Esse montante de documentos integra o laudo elaborado por Roberto Hiratuka, a pedido do Ministério Público Estadual diante da denúncia de superfaturamento das lousas digitais para a educação pública de Araraquara. Ao contrário da nota enviada à imprensa pela Prefeitura, foram esses relatos protocalados em abril deste ano que o vereador Edio Lopes (PT) utilizou durante as declarações dadas na Tribuna da Câmara da última terça-feira. “A minha função como vereador é fiscalizar e denunciar os descasos de qualquer administrador. E isso é o que eu tenho feito. Utilizei a Tribuna para falar o que realmente é verdade e está relatado em um lado pericial.” De acordo com o documento apresentado pelo parlamentar com base no relato do MP, uma lousa ‘top’ e pronta para funcionar custaria, na época, de R$ 8 a R$ 12 mil, mas a Prefeitura chegou a pagar R$ 32,5 mil. O vereador ainda rebate o texto enviado à imprensa pela Prefeitura dizendo que a empresa solicitou provas relacionadas às denuncias. Na verdade, coube a Promotoria definir a nomeação deste perito especializado para o caso. A Promotoria cita uma série de informações partindo da avaliação inicial, passando pelo laudo até chegar a conclusão. Em relação ao software, diz que houve “alteração escandalosa do edital, contrária ao interesse público para proteger os interesses da única empresa com quem interessava trabalhar.” Em outro trecho, a avaliação é que foi pago R$ 29.890 por uma peça que sequer tinha aplicação às lousas em um “desperdício impressionante de dinheiro público.” Em relação a capacitação dos professores foram dados treinamentos de três horas por R$ 427 mil. “A cada três horas de treinamento a Clasus recebeu mais de R$ 4,2 mil. Nem os professores de Harvard são tão bem pagos.” Lopes ainda destaca outro item selecionado pela Promotoria. Nele, descreve que no edital previa que a instalação e a configuração ficariam por conta do fornecedor responsável, mas, a Prefeitura pagou R$ 1,7 mil pela montagem de cada lousa gerando um custo de R$ 103 mil. Esse pagamento, na opinião da Promotoria, pode ser classificado como “mais um ponto de estruturação do superfaturamento.” “Jamais fui e nem serei manipulado por ninguém para divulgar seja as minhas ações e/ou as minhas responsabilidades enquanto vereador. Não usei a Tribuna para macular o trabalho de nenhum agente público e tudo que falei está embasado em documentos oficiais. Ao contrário do que foi divulgado na imprensa, nenhuma declaração teve motivação política. A minha obrigação é somente informar verdades sem qualquer tipo de distorção”, diz Lopes.
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