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Os educadores do Centro de Esportes e Artes Unificados “Vereadora Leopoldina Toledo do Amaral”, o CEU das Artes, localizado no Jardim Indaiá, estão desesperados com suas condições de trabalho. Embora o centro cultural e esportivo tenha uma boa infraestrutura, o espaço completamente aberto não oferece nenhuma segurança aos frequentadores e sofre com ações de bullying e vandalismo de crianças e adolescentes que não participam das atividades.
“Se vocês tivessem chegado meia hora antes, teriam visto um grupinho assediando as crianças menores ali mesmo”, aponta a professora de teatro Elaine Cristina de Oliveira, enquanto narra ao vereador Rafael de Angeli (PSDB) os problemas que enfrenta em sua rotina de trabalho. Ela dá aulas no CEU das Artes desde o começo do ano e já passou por uma série de intimidações, ameaças e constrangimentos. “Uma noite, durante a aula, os meninos nos trancaram dentro do cine teatro e desligaram a energia para nos assustar. Nossa sorte foi eu ter uma cópia da chave da outra porta”, conta.
Mas esse não foi o único episódio. Ela já foi cercada pelos meninos, em atitude intimidadora, enquanto estava sozinha trabalhando no computador da biblioteca. Além disso, eles passam batendo nas portas e janelas durante as aulas sistematicamente para atrapalhar o trabalho. “Já quebraram vidros, invadiram salas, furaram os pneus do carro de um professor, fazem a maior bagunça no banheiro e intimidam as crianças menores. Não sabemos mais o que fazer”, desabafa Elaine.
O agente operacional Valter Pacheco trabalha no CEU das Artes desde a sua inauguração, no ano passado. Ele faz coro a todas as reclamações de Elaine e acrescenta: “O espaço precisa de melhorias, principalmente em termos de segurança, mas também em outros pontos, como as caixas de força sem grades, por exemplo. Os meninos mexem, e uma criança pode acabar sendo eletrocutada. Temos ainda os computadores que estão ociosos há oito meses. Podem acabar se deteriorando ou sendo levados pelos malandros, o que seria uma pena, porque foi um investimento importante”.
Pacheco também tem problemas com as crianças que têm, em média, de 10 a 13 anos de idade. “Precisamos de uma ação do Conselho Tutelar aqui, pois não temos formação para lidar com elas e as famílias”, observa. “Nem nós, os educadores”, completa Elaine. “Não somos psicólogos, não somos assistentes sociais. Não somos habilitados para abordar essas crianças.”
E elas sabem disso. Tanto que uma das frases que os funcionários contam ouvir com mais frequência é: “Você não pode fazer nada porque sou ‘de’ menor”. Elaine conta que já procurou a Secretaria de Cultura, a Guarda Municipal e o Conselho Tutelar, mas ainda não conseguiu obter uma solução ou algum encaminhamento para o problema. “Todos parecem estar sobrecarregados, com poucos recursos ou com pouco pessoal, e nós continuamos nessa situação. Mantemos as atividades por causa dos nossos alunos, que são assíduos e que, em muitos casos, não teriam dinheiro para frequentar as Oficinas Culturais na Casa da Cultura. É importante para eles que as aulas ocorram aqui, mas acabam sendo prejudicados por esse vandalismo todo”, observa a educadora.
O Centro de Artes e Esportes Unificados faz parte de um programa federal e recebeu investimentos de R$ 1,7 milhão da União e uma contrapartida de R$ 182 mil da Prefeitura. Na área de esportes, o CEU oferece aulas de handebol, futebol de salão, caratê, capoeira e ginástica. As oficinas culturais contam com cursos de teatro, mangá, balé, violão, break dance, dança contemporânea e artesanato.
Angeli se propôs a mediar o diálogo com a Prefeitura, a fim de buscar soluções urgentes e permanentes para os problemas. “Além disso, continuarei a fiscalizar e a cobrar o Executivo. É um absurdo que um espaço desses não possa ser plenamente aproveitado pela comunidade por causa de meia dúzia de vândalos”, declara o vereador.
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