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No dia 12 de fevereiro, uma tentativa de suicídio no pontilhão da Avenida Barroso literalmente parou a cidade e chamou a atenção para vários problemas. Além do mais evidente – a questão da prevenção dos suicídios, que vêm aumentando no país nos últimos anos –, o episódio também levantou questionamentos sobre outro ponto: qual é o nível de segurança dos pontilhões da cidade e quem é responsável pela fiscalização desses locais? Os vereadores Jéferson Yashuda (PSDB) e Roger Mendes (Progressistas) vêm discutindo essas questões desde o início de seus mandatos. Em julho de 2018, Mendes encaminhou uma indicação ao Executivo sugerindo a realização de um estudo visando à possibilidade de diminuir a largura das grades de proteção existentes nos principais viadutos da cidade, de modo que os vãos dessas grades se tornassem bem mais estreitos. Na época, a Chefia de Gabinete da Prefeitura enviou a resposta informando que, de acordo com o secretário Municipal de Obras e Serviços Públicos, “a altura dos guarda-corpos (grades) existentes nos viadutos da cidade estão de acordo com as normas técnicas”. “Acontece que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) prevê que a altura total do guarda-corpo deve ser, no mínimo, de 1,1 m e que o distanciamento entre as barras verticais e horizontais do guarda-corpo não deve ser maior do que 15 cm, além de não ser recomendado para locais com acesso de crianças”, informa Yashuda. “Não é o que observamos em Araraquara.” De fato, há diferenças substanciais entre os guarda-corpos dos dois principais pontilhões da cidade, que ligam a Vila Xavier ao Centro. Enquanto o pontilhão entre as Avenidas 22 de Agosto e Duque de Caxias apresenta guarda-corpo com altura entre 1,18 m e 1,20 m de altura, com distanciamento de 15 cm entre as barras verticais, estando, portanto, dentro das normas, o mesmo não acontece com o aquele que liga as Avenidas Padre Antônio Cezarino e Barroso. Nesse caso, o guarda-corpo tem altura entre 0,89 m e 0,91 m e apenas duas barras horizontais com distanciamento aproximado de 30 cm.
“A sensação de insegurança do pontilhão da Barroso é confirmada pelas medidas das barras, completamente fora dos padrões da ABNT”, observa Mendes. “Basta que uma criança solte a mão da mãe ou que uma pessoa de qualquer idade tenha um mal súbito, por exemplo, para se desequilibrar e cair. O local não oferece nenhuma segurança nesse sentido”, acrescenta. Os dois vereadores já protocolaram na Câmara Municipal um requerimento, que será votado na próxima Sessão, pedindo esclarecimentos à Prefeitura sobre a existência de algum estudo para a implantação de melhorias na estrutura do pontilhão entre as Avenidas Padre Antônio Cezarino e Barroso, visando a atender às normativas da ABNT e, em caso de estudo conclusivo positivo, em quanto tempo o Executivo pretende adequar as estruturas do guarda-corpo do pontilhão.
Prevenção ao suicídio
Mendes e Yashuda também estiveram no 9º Grupamento de Bombeiros para discutir medidas de segurança. Os vereadores foram recebidos pelo Tenente Cássio Koitsi, que concorda que é necessário regularizar a segurança nos pontilhões. “Em alguns pontos, pode ser útil até um corrimão”, sugere, esclarecendo, no entanto, que o Corpo de Bombeiros não é responsável pelas vistorias de passarelas e viadutos. “Podemos apenas dar um parecer quando solicitado.” Koitsi ressalva, ainda, que apenas a regularização dos guarda-corpos não resolveria a questão dos suicídios. “É um problema grave, o nosso verdadeiro ‘mal do século’. Temos visto um aumento significativo de casos, inclusive entre adolescentes de 13, 14 anos. Além disso, no pontilhão da Barroso, observamos a chamada ‘glorificação de sítio’, ou seja, as pessoas elegem aquele ponto para cometer suicídio, e isso foge ao nosso controle. É necessário um trabalho de suporte, acompanhamento psicológico e psiquiátrico para que haja uma prevenção efetiva.” Yashuda envolveu-se com a questão no ano passado, sendo o autor da Lei nº 9.439, que inclui o “Setembro Amarelo” no Calendário Municipal de Eventos. Trata-se de uma campanha mundial de prevenção ao suicídio. “Durante aquele mês, promoveremos debates sobre o suicídio e suas possíveis causas e estabeleceremos diretrizes para ações integradas envolvendo a população, os órgãos públicos e as instituições públicas e privadas. Precisamos estimular o desenvolvimento de ações, programas e projetos para prevenção dessas mortes, que podem ser evitadas”, aponta.
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