Notícias



A Lei Maria da Penha e a violência contra a mulher: dados e debates



617


Edna Martins*

 

A violência contra a mulher é uma constatação frequente em nossa sociedade e, por isso mesmo, seu debate se coloca na ordem do dia. Diversos condicionantes contribuem para dificultar o enfrentamento desta realidade, entre eles encontra-se o fator cultural, influenciando diretamente na configuração das relações de gênero. Observa-se que, nesta esfera, o que prevaleceu foi a ideia do direito estabelecido pela força resultando em homens dominadores e mulheres submissas. A intensificação desta relação acabou por gerar o que assinalamos como a pior de suas consequências: a violência, doméstica e familiar, contra a mulher. Mediante esta observação, reflexões e questionamentos emergem colocando em pauta: a nova legislação sobre os direitos humanos das mulheres e, para além dela, a discussão a respeito da lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, no que se refere ao fato dela ter conseguido alterar positivamente esta realidade. Questiona-se a eficácia prática da nova lei e quais são os seus impactos no processo penal. Este é um debate denso, dada a sua complexidade, uma vez que tal discussão desperta a construção e a necessidade do debate de uma agenda que extrapola a esfera jurídica, dentro da qual a princípio foi gestada. A constatação corrente aponta para o fato de que, não obstante o número de denúncias terem aumentado, os índices de violência contra a mulher, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), não baixaram. Reconhece-se que a falta de capacitação de pessoal e a estrutura deficitária das Varas/Juizados, Deams, Defensorias Públicas, Centros de Referência, Casas Abrigo, também se constitui em um dos entraves no combate à violência contra a mulher. Infelizmente, conforme pesquisa da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da violência (CPMI) constatou que as políticas públicas se mostram ainda ineficientes ou mesmo inexistentes nesta esfera. De acordo com os índices, temos 11 assassinatos diários, sendo 7 deles cometidos por namorado ou ex-namorado, noivo ou ex-noivo, marido ou ex-marido. Segundo o Ipea, 40% de todos os homicídios de mulheres no mundo são cometidos por um parceiro íntimo. Em relação ao homem isso não ocorre. Apenas 6% dos assassinatos de homens são cometidos por uma parceira. Seja como for, nos perguntamos por que mesmo com a criação da lei, há sete anos, a violência contra a mulher no âmbito familiar e doméstico continua em ascensão? Assinalamos que o problema não está somente na Lei, pois a sociedade não é alimentada apenas por estas. A elevação da violência contra mulher é o reflexo de um contexto maior, onde a mesma se insere. Ela representa o diagnóstico de uma realidade difícil, cuja estratégia de enfrentamento compete a nós elaborarmos, uma vez que se verifica a necessidade da adoção de outras medidas voltadas à redução das desigualdades de gênero, enquanto pressuposto da violência contra a mulher.

 

* Socióloga, doutora em Linguística e vereadora pelo Partido Verde na Câmara Municipal de Araraquara


Publicado em: 13 de novembro de 2013

Cadastre-se e receba notícias em seu email

Categoria: Câmara

Comentários

Adicione seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.


Outras Notícias

Fique por dentro

Câmara de Araraquara abre seleção para estagiários com bolsa de R$ 2.277

13 de fevereiro de 2026

A Câmara Municipal de Araraquara está com inscrições abertas para o Processo de Seleção Pública de Estagiários – Edital nº 001/2026. A seleção é organizada pelo Centro de Integração Empresa-Escola...



Agenda Cultural – 13/02

13 de fevereiro de 2026

Música Com mais de dez anos de carreira como pesquisador musical e discotecário, Ivisson Cardoso (mais conhecido como Meu Caro Vinho) traz sua curadoria, que gira em torno dos 40 anos do Axé Music...



Agenda Esportiva – 13/02

13 de fevereiro de 2026

Futebol Pela 10ª rodada do Campeonato Paulista da Série A2, a Ferroviária recebe o Sertãozinho no sábado (14), às 18 horas, na Fonte Luminosa. O jogo terá transmissão ao vivo no canal do YouTube M...



Mulheres e meninas na ciência: mesmo com avanços, acesso e permanência ainda são desafios

13 de fevereiro de 2026

Apenas 33,3% dos pesquisadores de todo o mundo são mulheres, segundo levantamento realizado pela Unesco. Essa sub-representação foi tema da Audiência Pública “Meninas e mulheres na ciência”, realiz...



Atenção, motoristas! (13/02)

13 de fevereiro de 2026

A Prefeitura de Araraquara informa que, em razão das festividades carnavalescas, haverá interdições em dias e locais diferentes do município. No sábado (14), não haverá fluxo de veículos no trecho...



PAT (13/02)

13 de fevereiro de 2026

O Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) de Araraquara está com 42 vagas de emprego abertas nesta sexta-feira (13), distribuídas em diversas áreas e níveis de escolaridade. As oportunidades são...





Esse site armazena dados (como cookies), o que permite que determinadas funcionalidades (como análises e personalização) funcionem apropriadamente. Clique aqui e saiba mais!