Notícias



Discussões sobre desigualdade, permanência, fomento e assédio marcam Audiência Pública sobre participação feminina na academia

Evento 'Ocupar, permanecer e decidir – os desafios das mulheres no ambiente acadêmico' foi realizado na Câmara na noite de quinta-feira (5)

881


Discussões a respeito de desigualdade de gênero, permanência nos estudos, fomento à pesquisa e assédio sexual foram alguns dos assuntos em pauta na Audiência Pública “Ocupar, permanecer e decidir – os desafios das mulheres no ambiente acadêmico”, realizada na Câmara de Araraquara na noite de quinta-feira (5) por iniciativa da vereadora Maria Paula (PT).

 

Estudantes, pesquisadoras e militantes compareceram ao evento. A vereadora Geani Trevisóli (PL) também participou.

 

Maria Paula citou dados que ilustram a importância da discussão proposta: 59% das matrículas no ensino superior são de mulheres, e elas representam 55% das matrículas em mestrado e doutorado.

 

Por outro lado, a participação feminina na docência de ensino superior é de 47,5%. Entre 69 universidades federais, somente 28 (40,5%) têm reitoras mulheres.

 

Paralelamente, 60% das universidades federais não têm políticas de combate ao assédio.

 

“As mulheres, ao se emanciparem na luta feminista, e com o avanço das universidades, especialmente as públicas, ingressaram nesses espaços. Só que esses locais não foram necessariamente pensados para que nós estivéssemos lá”, analisou Maria Paula.

 

“Então nós entramos nesses espaços pouco acostumados a receber figuras como nós, mulheres, e tivemos que fazer desses espaços nossos lares, lugares para realmente ocuparmos e desenvolvermos pesquisa, profissionalismo e intelectualidade”, prosseguiu.

 

A vereadora Geani acrescentou que as mulheres precisam ser ouvidas em todos os ambientes, inclusive o acadêmico. “Eu ingressei na faculdade um pouco mais madura, e houve resistências”, testemunhou.

 

Contribuições

Diversas pessoas aproveitaram a Audiência Pública para se pronunciar sobre o tema. A psicóloga Flávia Dotoli lembrou que as mulheres são maioria no ambiente acadêmico, mas enfrentam assédio sexual, sub-representatividade em espaços de liderança e desigualdade social. “A universidade precisa ser espaço de emancipação. Quando uma jovem ocupa esse lugar, transforma o próprio futuro e o da sociedade”, declarou.

 

Ana Carolina Benedito, estudante do quinto ano de direito na Uniara, se pronunciou contra o assédio. Queixou-se que muitos homens não conseguem enxergar a seriedade do assunto. “Por mais que a instituição traga o diálogo, internamente a gente escuta comentários e risadinhas, é algo que fica interno entre os alunos. Muitas vezes os professores e coordenadores não sabem disso, então o assunto fica velado”, pontuou.

 

Também estudante de direito da Uniara, mas do segundo ano, Sofia Ferreira da Silva fez um recorte racial da questão. “O Brasil não consegue formar docentes negras. A maioria da população é negra, mas as pessoas estão nas periferias, às margens, não em cargos elevados”, constatou.

 

A dificuldade de levar o assunto para além dos cursos de humanas, para estudantes das áreas de exatas e biológicas, foi levantada por Bruna Djanikian, farmacêutica formada pela Unesp de Araraquara. “Eu, pelo menos me sinto deslocada [nessas discussões]. Vejo muitas pessoas de Direito, mais da parte de humanas, então é um pouco difícil trazer esses temas em outros cursos”, comentou.

 

Mestranda em ciências sociais na Unesp, Hillary Reatto celebrou os avanços obtidos quanto ao acesso de mulheres às universidades, mas ponderou que a questão da permanência ainda é um tema que carece de melhorias. Para isso, pediu reajuste nas bolsas de pós-graduação, melhores condições de trabalho e mais fomento. “O desafio é ainda maior quando as estudantes se tornam mães”, disse.

 

Encaminhamentos

Após a Audiência Pública, Maria Paula definiu os encaminhamentos do encontro. Um dos resultados será a checagem de como está o cumprimento, em Araraquara, da Lei Maria da Penha vai à Escola. Também será analisado o cenário de ações de políticas para mulheres na cidade. Outro resultado será o estudo referente à criação de protocolo sobre assédio nas universidades.

 

Transmissão

O evento teve transmissão ao vivo pela TV Câmara e pode ser revisto aqui.


Publicado em: 06 de março de 2026

Cadastre-se e receba notícias em seu email

Categoria: Câmara

Comentários

Adicione seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.


Outras Notícias

Fique por dentro

Servidores da Câmara de Araraquara participam de capacitação sobre assédio moral e sexual

15 de maio de 2026

    A Câmara de Araraquara promoveu, entre esta quarta (13) e sexta-feira (15), capacitação sobre prevenção ao assédio moral e sexual no ambiente de trabalho, voltada aos servidores da Casa. As a...



Araraquara irá ampliar prevenção a vírus emergentes por meio de campanha permanente

15 de maio de 2026

  Os avanços de doenças virais e o crescimento da circulação de notícias falsas sobre saúde pública motivaram os vereadores a aprovarem, em Plenário, a Campanha Permanente de Prevenção às Infecçõe...



Criação de política de combate à desinformação em saúde pública é aprovada na Câmara

15 de maio de 2026

  Promover o acesso da população a informações qualificadas e baseadas em evidências científicas, além de prevenir a disseminação de conteúdos falsos que possam comprometer a saúde coletiva. Esse...



Projeto aprovado na Câmara cria cota para artistas com deficiência em eventos públicos

15 de maio de 2026

    O Projeto de Lei que determina uma cota mínima de 5% para a contratação de artistas com deficiência em todos os eventos culturais promovidos pelo poder público municipal foi aprovado na Câmar...



Câmara entrega Diploma de Honra ao Mérito a Thainara Faria

15 de maio de 2026

  A Câmara Municipal homenageou a deputada estadual Thainara Faria (PT) com o Diploma de Honra ao Mérito em Sessão Solene realizada na noite de quinta-feira (14).   A honraria foi entregue pela...



Minicurso encerra programação da 3ª Semana Municipal das Mães Atípicas na Câmara

15 de maio de 2026

    Encerrando a programação da 3ª Semana Municipal das Mães Atípicas, o Plenário da Câmara recebeu o minicurso “Esgotamento Emocional e o Poder de Dizer Não”, ministrado pela advogada Miriam Pau...





Esse site armazena dados (como cookies), o que permite que determinadas funcionalidades (como análises e personalização) funcionem apropriadamente. Clique aqui e saiba mais!